A Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE) enviou, nesta semana, ofícios ao Ministério da Saúde, aos Conselhos Nacionais de Secretários de Saúde dos Estados (CONASS) e dos Municípios (CONASEMS), além de entidades representativas dos prefeitos, como a Frente Nacional de Prefeitos e a Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O objetivo foi manifestar sua preocupação e indignação com as recentes exposições sensacionalistas de profissionais de saúde em unidades de pronto-atendimento pelo País. Segundo a ABRAMEDE, as ações midiáticas têm sido promovidas, em sua maioria, por vereadores e prefeitos recém-empossados e sem pleno entendimento de seu papel na administração pública. “Sob o pretexto de fiscalização, esses atos de intervenção ao plantão representam um grave desrespeito aos profissionais que atuam na linha de frente da assistência à saúde e, como resultado, produzem desconfiança da população em relação aos serviços de saúde, além de trazer constrangimento e desmotivação para os profissionais”, pontua o texto. Segundo explica a presidente da ABRAMEDE, Camila Lunardi, o médico contratado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para atuar em determinada especialidade, sobretudo o especialista em Medicina de Emergência, não deve ser desviado para atender consultas de outra especialidade. “Durante o expediente, o plantonista da emergência não pode abandonar o seu posto. Os médicos emergencistas são justamente os profissionais que ficam à disposição para atender os pacientes em estado crítico que chegam inesperadamente às unidades de saúde”, reforça ela. Além disso, o ofício ressalta que médicos e demais profissionais da saúde enfrentam, diariamente, más condições de trabalho, sobrecarga e escassez de recursos. Desse modo, não podem ser responsabilizados isoladamente pelas deficiências estruturais do sistema de saúde. De acordo com a ABRAMEDE, os profissionais dos departamentos de emergência ainda atuam em jornadas intensas e em condições adversas, sendo imprescindível o respeito aos períodos de descanso previstos por normas trabalhistas e de saúde ocupacional. “Infelizmente, episódios de exposição indevida e ataques contra profissionais de saúde, sobretudo os médicos, têm se tornado recorrentes. A ABRAMEDE entende que a fiscalização da saúde pública deve ser conduzida com seriedade e respeito, embasada em critérios técnicos e sensibilidade às condições reais de trabalho”, declara a presidente. A superlotação nos prontos-socorros, na visão de Camila Lunardi, é reflexo da ausência de serviços de atenção básica adequados, sobrecarregando emergências que deveriam ser destinadas a casos críticos. Soma-se a isso problemas graves de gestão, como a falta de planejamento na alocação de recursos humanos e materiais, além da deficiência na articulação entre os diferentes níveis de atenção à saúde. “É fundamental, portanto, que os agentes públicos concentrem esforços na ampliação e fortalecimento da atenção primária, bem como na melhoria da gestão dos serviços, para evitar o colapso do sistema de saúde”, finaliza o texto da entidade.